a David.



Os córregos amorosos da alma são um mistério... Até que alguém os decifra e nos conta. Esse alguém é o amor: você!

“Sorrisos”

Nos muros das casas
Janelas de ônibus
Adesivos em carros
No alto de postes
Nos galhos das árvores
Espalhado ao chão
Nos homens, em mãos,
Mulheres, crianças,
Pai, mãe e tia
A trinta reais o dia.

No horário nobre
Da televisão
Na humilde fala
Do locutor
No segundo caderno
Das mãos cidadãs
Na manchete,
Anúncios, classificados
E na boca do povo
Que nem ouve nem responde.

Pra cada lado, acima e abaixo
Paisagem vislumbrada
E estrada percorrida
A cada passo
Em meus limites não previstos
Um sorriso eu avisto.

Sorrisos brancos,
Amarelos,
Arredondados,
Quadrados,
De dentes inteiros e quebrados.

Sorrisos verdadeiros
De sorrisos falsos
Sorrisos que enganam
Quaisquer pés descalços
E sem dúvida alguma
Esses são maioria
Num universo de “eu quero”,
“eu prometo”, “eu faço” ou “eu faria”.

De saneamento
A sacos de cimento.
Mil promessas prometem
Prometendo aumento
E o bolso do povo grita
E a ferida do povo grita
E o câncer do povo grita
E o povo morto grita:
Quem se importa com os sorrisos?

de Lisa Stér Cöy.


Vejo vocês no Muquifo!

Amor

  Com amor. Sempre.

    
       Vejo vocês no Muquifo!

Ainda vivo, ainda...


        O meu cérebro não sabe mais identificar códigos, dígitos, orações, imagens e combinações...
       Meus olhos só conseguem enxergar fractais preto e branco, repetições aleatórias que não me atingem, só destingem o pouco que ainda consigo ver do que faço tanto esforço para não esquecer.
       Meu olfato, antes acostumado a dois fragrantes marcantes, ainda não se contenta em sentir apenas o cheiro do vazio. O cheiro da solidão e da ausência.
       Abro a geladeira cinco vezes, olho as prateleiras novamente, verifico a dispensa só pra ter a certeza que o que minha boca quer não é comida.
       Qualquer barulho, qualquer farpa de madeira ou grão de poeira ao cair no chão fere meus tímpanos e eles sangram, pois o que atenua minha dor não pode mais dizer o que mais amo ouvir ao pé do ouvido.
       Agora me sinto agoniada, não sei se estalo os dedos, se roo as unhas, se mecho o cabelo ou se cruzo os braços. Não se se durmo, se choro, se me distraio... Até meus dedinhos dos pés não conseguem parar quietos, pois meu calmante está em falta.
      Escrever é o que me basta. Bater os dedos nas teclas, chutar letras e desabafar. Dizer isso tudo aí encima sem pensar, pois neste momento o que me mantém respirando é saber que nosso amor existe. Só.


       Vejo você no Muquifo!

Gargaú - Julho de 2010 - I

       Viajando nas férias de julho, estou em um lugar beeeeem calmo chamado Gargaú. Já existe um post sobre ele aqui no blog, afinal tenho casa aqui e volta e meia minhas férias têm este place como destino.
       Dentro do carro, vindo pra cá (5:00h de viagem), tirei inúmeras fotos da paisagem. Ficaram ótimas.
       Pergunta: Como eu consegui centralizar o cavalo na foto com o carro em movimento?
       Resposta: Macumbaaaaa...  rsrsrs


Obs.: Quem descobrir, por estas fotos, que tipo de veículo é esse, ganha um livro meu: "Sonhos, amores e ilusões...". Escreva nos comentários, junto com seu e-mail e endereço. Se mais de uma pessoa acertar, será feito sorteio.



      Vejo vocês no Muquifo!

Co-amar

     Se coexistir significa 'existir ao mesmo tempo', por que não usar a palavra co-amar para definir o que estou vivendo neste momento?
     É incrível quando se é feliz e tem consciência do fator que lhe proporciona isto. Pois se é o amor, tudo fica tão mais claro e tão mais lindo. É realmente incrível saber que a gente pode confiar e contar com esta pessoa a qualquer momento. Que pode-se ser surpreendida com coisas maravilhosas nos minutos mais inesperados.

     Mais que isso tudo, é saber que coexistir não é somente isso e que existirá para sempre, nos corações, nas uniões, nas conversações, nos momentos bons. E que em cada momentinho incômodo ou qualquer coisa do tipo, também haverá o co-pensar, co-acariciar e co-viver (ou conviver?).
     É lindo saber que...

  ...que tudo isso existe.



Vejo você no Muquifo! Meu sommelier...

"Eu só exijo me sentar!"

     Ontem, dia 15 de junho de 2010, cerca de 14 horas, eu estava dentro de um ônibus abarrotado de pessoas. Para ter ideia da situação, eu estava sentada num degrau atrás do banco do motorista! Incrível foram fatos - ou escândalos - acontecendo por um único motivo na mesma viagem.
     Ao entrar no ônibus, já cheio - o ônibus é o 751 ou 996, que tem alguns bancos para idosos e especiais antes da roleta -, fiquei em pé antes da roleta. Todos os bancos estavam ocupados. Entrou uma senhora que parecia estar mancando um pouco, então parou quieta no canto dela e segurou na barra de apoio. De repente uma outra senhora abriu a boca e gritou: "Esses jovens ficam sentando nos bancos reservados para idosos! Não se mancam!". Todos ficaram apavorados com a atitude dela. Quando alguém, disfarçadamente e com uma voz tenra falou ao seu lado: "Ele é especial", onde essa senhora enfiou a cara?! Não sei!

     Chegando em um certo ponto, antes de subir a ponte Rio-Niterói - eu já havia me encolhido atrás do banco do motorista nessa hora - entrou uma moça, rondava entre os 30 anos, com duas muletas. Ela viu que o ônibus estava entupido, impossível até mesmo de respirar. Logo no 1º degrau da escada - vejamos, nem havia entrado direito no ônibus - gritou para o motorista: "Eu só exijo me sentar!"
     Onde está a autoridade dela de se pôr falando para os idosos que estavam sentados ali na frente se levantarem para ela sentar?
     "Ninguém vai levantar não?!" - falou, em tom de deboche. "Tá, eu vou passar pela roleta que lá não tem idosos e vão ter que levantar pra mim. Trocador libera a roleta!"
"Dinheiro ou cartão?" o pobre trocador perguntou.
"Tá brincando comigo? Eu estou de muleta (bastante ênfase na parte grifada), tenho direito de não pagar a passagem!"
"Minha senhora, não posso te deixar passar sem pagar. A senhora não grite por favor."
"Ok, para evitar confusões eu irei pagar" (muito mais ênfase na parte grifada) Se ela quisesse evitar confusões no mínimo gritaria menos!
     A esta altura do campeonato o ônibus inteiro já estava ciente da situação e da imensa arrogância da pessoa.
"Alguém vai me dar lugar?!" - perguntou.
"Ninguém vai se levantar?" - repetiu.
     Neste instante, se virando diretamente a uma menina que estava a sua frente, disse:
"Levanta! Eu estou de muleta e quero sentar!"
"Minha senhora, aqui você não tem o direito de exigir o banco. Se quisesse se sentar esperava o próximo ônibus." - tentou amenizar a coitada da menina sentada que estava vermelha de vergonha já. Quem daria o lugar para uma pessoa tão mal educada?

     Por fim, um senhor (repito, senhor, velho, mais acabado que a pessoa de muleta) se levantou e disse: "Senta aí".
     Mas não foi um senta aí qualquer. Nas entrelinhas estava claramente escrito: "Cala a boca e senta logo, prefiro ficar em pé do que aturar uma louca berrando a viagem inteira". Você acha que ela calou a boca? Ainda ficou resmugando durante uns 10 minutos até perceber que estava sendo totalmente ignorada.
     O que lhes falta na saúde certamente não sobra na educação! Essa é a frase do dia. Se ela tivesse sido educada, teria tornado menos tensa a viagem do motorista e do trocador que estavam fazendo hora extra e perdendo o jogo do Brasil na copa do mundo. Teria deixado os passageiros menos incomodados, pois já estava praticamente impossível aquele ônibus cheio de gente, cheio de calor, no meio no engarrafamento...
     Será que para eles valeu a pena?


     Vejo vocês no Muquifo!

Liberdade etária


     Sim, como estão neste exato momento pensando no título, completarei e contemplarei a maioridade. No dia 12 de junho, às 10:35 a.m., terei completos meus 18 anos de vida, este o dia que espero desde que me lembro por gente.
     Antes de terminar de ler, ouça esta música:


     Sempre fui uma pessoa muito ansiosa por tudo, e o fato de não ser tão "solta" pelos meus pais, me deixou mais louca ainda pela chegada desse acontecimento. Mas até onde devo reclamar, agradecer, comemorar ou refletir sobre essa data?
     Será mesmo que a liberdade me será entregue, embrulhada com direito a laço de enfeite neste dia? Ainda nem descobri o que significa esta palavra (se o leitor souber, por favor, me presenteie respondendo nos comentários), então porque almejar tanto algo que não se entende?
     Hoje, aos 17 anos, 11 meses e 25 dias de idade, não vejo muita vantagem em me tornar "adulta". Serei obrigada a votar, "benefício" esse que não faço muita questão de possuir; poderei ser presa e processada, não que haja muito motivo para isso, só comentei (rsrs); poderei doar sangue, farei um esforcinho para acabar com minha fobia de agulhas; e, acho que principalmente, serei vista como alguém, um ser capaz de obter e concluir seus objetivos, podendo assinar meus próprios documentos e ir e vir sem dar satisfações.
     Continuarei, porém, sendo vítima de uma sociedade mal estruturada, onde seus valores morais e físicos são mal distribuídos, e ainda ter que aturar ridicularidades sendo expostas sem poder dizer o que penso.
     Estou, agora, dizendo o que penso, mas no que isso influi? No que meus desejos, sonhos, opiniões, críticas e vontades influem?!
     A música - Ideologia -, que pedi que você ouvisse no início deste post, resume tudo que sinto neste momento, tudo que eu disse, tudo que não consegui descrever, simplesmente tudo.
     Revolta? Não sei... Talvez incômodo. O que quero mesmo é encontrar minha caverna e poder fechar meus olhos.

     Agora ouça novamente a música, mas desta reflita sobre a letra.



     Vejo vocês no Muquifo!

Guitarra?


    Eu queria mesmo é aprender a tocar e ele fez questão de me ensinar a mais bela música. Eu via seus dedinhos roçarem nas cordas bem afinadas. Roçavam, batiam, tocavam, e as cordas gemiam, expurgando suas ondas que chegavam aos nossos ouvidos como a mais bela melodia.
     Ah... Ele sabe tocar tão bem. E fez isso com um glamour incomparável. IN-COM-PA-RÁ-VEL.
     Eu aprendo bem rápido e faço questão de mostrar. Sempre. Minhas mãos, ainda pouco treinadas, arriscaram algumas notas. Seus olhos tristes - não tristes de tristes, mas tristes de nascença - acompanhavam meus movimentos, meus pensamentos, meus... que importa? Não mais são meus, são nossos.
     Nossa linha imaginária, nosso mundo, nossa cúpula, nosso paraíso, nossa orquestra. Sim, uma orquestra! Jamais ouvira música tão bela e não canso de repetir.
     Por mim, tocaria até o fim do mundo. De repente me apaixonei por música. Não sei porquê! Talvez você saiba, me explica?
     Como assim não sabe? Argumente!
     Já ia esquecendo como ele sabe argumentar tão bem. Mas falar é tão chato. Toca mais um pouquinho para mim?
por L. S. Cöy.




Vejo vocês no Muquifo!

Red Bull Air Race

Aeehhh,
Muito tempo depois estou eu aqui de volta. Não, eu não morri nem fui abduzida como estão dizendo por aí. Estou apenas atarefada demais!
Ehe...

Este final de semana foi esplêndido. Maravilhosamente especial para mim.
Fui no Red Bull Air Race. O melhor de tudo é que lá tinham aviões de duas asas que voaram no céu! Impressionante, não?

Fotos:

"Teus beijos, teus abraços, teus sorrisos, teus suspiros...
Nessa poesia nem precisa rimar para que tudo seja bonito!"

Vejo vocês no Muquifo!

A maior palavra



Pneumoultramicrossilicovulcanoconiótico
Desistiu na metade? Gaguejou? Deu fadiga só de ler? É... sei 
como você se sente. É a maior palavra da língua portuguesa.
Significa o nome dado a algum coitado possuidor de uma 
doença pulmonar causada pela aspiração de cinzas vulcânicas.
Quase impossível, né? Mas se a gente pensar bem, muito filme
por aí acabaria em tragédia com os atores morrendo de
pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose.
(e eu achava anticonstitucionalissimamente grande...)
Bom... Sem demais,


Vejo vocês no Muquifo!

Letra Exótica



       O site Letra Exótica já está "pronto". Entre aspas porque depende da participação do público para se completar.
       Já tenho uma entrevista confirmada com Romulo Narducci, que será postado no site em breve. E vários convites foram feitos. Estou dando meu máximo para divulgar, mas infelizmente sempre tem algo para atrapalhar. Fiz o Twitter para o site há 3 horas e foi suspenso por atividades estranhas. Que raio (#@%*Y¨&) de atividade estranha eu estaria fazendo?!
       Bom... Fora isso está tudo nos conformes. 
Visitem:
    
 
 http://www.letraexotica.com

       Vejo vocês no 
Muquifo!

Ímpeto

       Tenho estado muito ocupada ultimamente. Estou com dois projetos de sites literários que tem me deixado um tanto quanto fissurada em termina-los. Portanto, este post segue com um trecho do meu orgulho do momento, o conto que já está no capítulo 10 e acho que vai virar romance. Chama-se Ímpeto de sangue, trecho do capítulo 9.


 "      A chuva parou e junto os relâmpagos, ficando apenas uma leve garoa que batia no ar condicionado fazendo um barulho irritante. Tudo naquela noite estava voltado contra o meu sono.
       Me virei para o outro lado da cama e pensei ter visto alguém na janela. Não pode ser, só pode ser impressão minha.
       Olhei novamente para verificar, mas não havia ninguém. Então me levantei um pouco para puxar o lençol, quando senti algo diferente.
       Aqueles olhos frios e irresistivelmente sedutores me fitavam do outro lado da cama.
_ Como você chegou aqui? _ perguntei, assustada. Ou talvez surpresa. _ Como?
_ Janela. Você estava distraída demais para perceber. _ ele falou suavemente.
_ E o que você quer? Por que sempre aparece por aqui e nunca fala nada?
_ Não sei. Eu só venho te ver, te observar, te apreciar...
       Não irei mentir sobre o quanto me senti atraída por aquelas palavras. Sobre quanto tempo esperei para que alguém me dissesse aquilo com todo o sentimento e sinceridade que eu sentia no tom de sua voz. Mesmo assim eu não poderia ignorar que ele ainda era, para mim, um desconhecido.
       Mas o que estou tentando me convencer a fazer? Não posso aceitar um estranho aqui desta forma. Por mais sedutor e incrivelmente gentilmente avassalador que me possa parecer, eu não posso. Mesmo que eu queira. E eu quero!      "


       Falando em querer, querem mais? Bom... Quando eu terminar eu publico.


       Vejo vocês no Muquifo!

Ambulância inusitada


Na semana passada em São Gonçalo, um jovem que mora na minha rua sofreu um acidente de moto. Infelizmente com fratura exposta e essas complicações a mais que todo jovem rebelde sabe que pode ter mas nunca toma jeito.
Ele ficou ileso no local durante um tempo e, como notícia ruim espalha rápido, logo vieram repórteres para tirar foto. Afinal, qual jornal não gosta de tragédia?!
O inusitado é que, em uma das reportagens, o fotógrafo tirou a foto dele sendo socorrido e um carro de veterinária do lado. Parece que a veterinária veio socorrer ele (risos)!
Se o fotógrafo fez isso propositalmente, se foi apenas coincidência ou uma brincadeira do destino, ninguém sabe. Só sei mesmo que ri muito (não da desgraça, coitado do menino, ri da foto).
Foto abaixo, com os rostos cobertos para manter a salvo a identidades dos indivíduos.


Vejo vocês no Muquifo!

O pseudodemocrático prêmio literário Portugal Telecom - por R.Roldan-Roldan


De fato muito boa essa crítica. Aplaudo de pé o Roldan.
É isso que acontece que ninguém vê mas todo mudo sabe.
O senado da literatura sempre vence.


O conceito de democracia, aliás, como todo conceito, é relativo. Faço minhas as palavras do grande Lars von Trier – o meu conceito de democracia é outro em relação ao conceito democrático da era bushiana. Mas não se assustem. A presente carta não tem por meta digressionar sobre a famigerada globalização com as suas seqüelas de concentração de renda, desigualdade social, desemprego mundial e as assustadoras estatísticas da ONU sobre o aumento da miséria no Planeta. Nem sobre a nostalgia de uma esquerda demodée e no fundo pouco revolucionária que pouco fez – ou o fez errado – para que de fato se instaurasse a verdadeira democracia no mundo.
Não. O objetivo desta missiva é outro. Menos abrangente. Quantas vezes não nos deparamos, num bar de música a vivo, com um músico, um cantor ou uma cantora, cujas atuações são notáveis e que recolhem apenas meros aplausos protocolares, quanto muito, de um público indiferente, mais interessado na conversa de botequim do que em suas performances? Não é humilhante? Músicos e cantores que lutam durante anos para conseguir um lugar ao sol e que se vêem obrigados a gravar os seus discos de modo independente, ou seja, marginal, porque são recusados pelas grandes gravadoras, enquanto a televisão nos impinge verdadeiros lixos sonoros fabricados e promovidos por uma determinada mídia ávida de produtos (não é o termo que se usa?) absolutamente descartáveis. E o mesmo acontece com os artistas plásticos que vêem as suas obras recusadas pelas grandes galerias de arte. E o mesmo ocorre com os escritores que... E chego onde queria chegar, restringindo-me a um fato (e digo fato) que me diz respeito: os prêmios literários no Brasil. Não se trata de denunciar tramóias, fraudes, favoritismo ou cartas marcadas em relação a prêmios literários. Isso já foi denunciado muitas vezes e, qualquer um sabe, por exemplo, que o tradicional pseudônimo da obra inédita submetida a um júri é história para inglês ver, sendo que isso não significa nada quanto à idoneidade e imparcialidade dos membros do jurado.
O que quero expor aqui é a perpetuação de um sistema injusto que elimina toda e qualquer possibilidade de conceder uma chance (não de ganhar, mas de concorrer) a escritores novos e não tão novos que não têm oportunidade de ver os seus trabalhos reconhecidos, não por um pequeno grupo de colegas amigos, mas por um público mais amplo. Portanto, não deixa de surpreender, para não dizer espantar, que os organizadores do prêmio literário Portugal Telecom, que se gabam do teor democrático (“a disputa é bastante democrática”) do prêmio, não tenham se dado conta de que a estrutura seletiva do concurso é absolutamente antidemocrática. Antidemocrática por quê? Simplesmente porque privilegia os autores publicados pelas grandes editoras do eixo Rio/São Paulo, salvo raríssimas exceções. Mas, alguém pode objetar, os melhores autores brasileiros são editados pelas grandes casas editoriais do País! Sim e não. As grandes editoras publicam bons livros, mas também publicam livros que, se não chegam a ser lixo (como disse Salman Rushdie a respeito do Código Da Vinci, de Dan Brown) são obras que não só deixam muito a desejar, como estão longe de serem literatura. Explico-me. E diretamente. No caso do Prêmio Portugal Telecom, que chance tem um escritor (sério, não picareta) que, por um motivo ou por outro, teve o seu livro recusado pelas grandes editoras e se viu obrigado a publicá-lo por uma pequena editora alternativa (vejam bem: chance de apenas concorrer)? Nenhuma. Absolutamente nenhuma chance. Já que essas pequenas editoras não têm praticamente divulgação nem distribuição e que os seus livros, quando lançados e enviados a jornais e revistas importantes, são totalmente ignorados (quero dizer nem lidos), pois esses autores desconhecidos não são figuras interessantes para a mídia e, conseqüentemente, são automática e preconceituosamente descartados. E o que estou colocando aqui são fatos, aliás, só me atenho a fatos. Portanto, os membros do júri só podem, evidentemente, julgar as obras que já leram, presumo eu. E se um livro de editora alternativa não chega às mãos de um crítico, de um professor de literatura ou de um outro escritor, como é que esse livro poder ter a chance de participar do concurso? Esse livro simplesmente não existe. Alguém poderia alegar: mas esses livros publicados pelas alternativas são ruins de doer. Nem sempre. Existem bons autores brasileiros que continuam marginalizados, no limbo. E outros, medíocres de deixar um leitor mais exigente irritado, são publicados por respeitáveis editoras e endeusados por uma crítica suspeita dada a modismos que geralmente são importados. Logo, esse raciocínio que rotula editora alternativa como sinônimo de publicações ruins, não se sustenta. Todos nós sabemos que grandes vultos da literatura mundial, como Proust, Rimbaud e Lautréamont, por exemplo, se viram obrigados a publicar as suas obras por conta própria. Tudo é relativo, como disse no início deste texto.
Acredito que o verdadeiro procedimento democrático é a leitura dos livros de todos aqueles escritores que desejam participar do certame, e não daqueles privilegiados que têm a sorte de terem sido publicados por editoras importantes. Não estou propondo uma utopia. Apenas o bom senso. Ou seja, um processo de seleção e avaliação justo e realmente democrático. Sim, é evidente que isso dá muito mais trabalho. Mas o justo, o eqüitativo, dá trabalho. E, como a verdadeira democracia é dinâmica, ou seja, susceptível de ser mudada, alterada, melhorada...
07/05/06

Férias em Gargaú parte II: Pescaria

       Acreditem ou não, eu sou uma ótima pescatriz. Quer dizer, pescadora, mas acho pescadora muito feio de ser dito, então me nomeio pescatriz.

       Foram 6 peixes no mesmo dia. Incrível, não? Pena que a câmera acabou a bateria e não pude tirar foto de todos juntos.

       Quando já estávamos quase indo embora, eu entrei na água pra jogar a vara e esqueci que os peixes estavam amarrados logo à minha frente. Como são bagres, já dá pra imaginar o que aconteceu, não é?
       Fez um corte de cerca de 1,5 cm no meu dedo do pé. Nem sangrou muito, mas levei um susto na hora. Imagina você dentro de uma lagoa e de repente sente uma dor como se uma faca tivesse entrado no seu pé?! É assustador... Bagres: malditos e deliciosos!



       Mas quando cheguei em casa coloquei a câmera pra carregar e deu pra tirar foto de todos juntos. Só que já estavam limpos e, principalmente, sem espinhos!

       Só não tirei foto dele preparado. Como os peixes não eram tão grandes, só deu pra fazer um pirão. Mas ficou booom! rsrs

       Vejo vocês no Muquifo!

Férias em Gargaú parte I: O começo de tudo

       Finalmente voltei de viagem, e com muitas novidades para contar.
       Entramos no carro no dia 27/12/09, às 5 horas da manhã em direção à Macaé, pois eu iria fazer a prova do concurso de magistério do município, que teria início às 9 horas. Aliás, o resultado já saiu e fiquei em 652º lugar de 2801 inscritos. Até que não fui mal para o primeiro concurso (rsrs, ironia!!).
       Enfim, terminei a prova às 12 horas e tomamos frente ao caminho da viagem novamente. Como destino Gargaú, pequeno bairro do município de São Francisco de Itabapoana.
       Para termos ideia de onde fica este lugar, imaginemos um bairro onde só há uma entrada que também é a saída. Não há outras maneiras de se deixar este local, além de barco.

       Pergunta: Qual é o cúmulo do fim do mundo?
       Resposta: Gargaú.

       E no próximo episódio; Férias em Gargaú parte II: Passeando em meio ao nada

       Vejo vocês no Muquifo!